E lá rumei eu até ao Teatro Camões para ver este bailado, com coreografia de Olga Roriz. Nunca tinha ido a nenhum e confesso que, exceptuando uma partezinha ou outra, me encheu bastante as medidas. Foi bem agradável!
Durante uma hora e uns poucos minutos, (re)visitei um dos mitos mais famosos da Antiguidade. Sem querer parecer petulante, creio que poucos hoje em dia não terão pelo menos ouvido o nome das duas figuras principais.
Em traços largos, quando Eurídice passeava algures na Trácia, foi mordida por uma serpente, tendo morrido. Orfeu, qual bom marido, decide ir buscá-la ao mundo inferior (inferno). Com a sua lira, encanta todos os seres que aí habitam e, por isso, Hades e Perséfone consentem que Eurídice regresse ao mundo superior, ainda que com a condição de que, enquanto estiverem a subir, Orfeu não pode olhar para trás. O jovem trácio aceita e põe-se a caminho, mas, quando estava quase a ver a luz do dia, é assolado por uma dúvida: Eurídice estaria mesmo atrás de si? Acaba por olhar para trás e vê Eurídice desaparecer e morrer pela segunda vez.
Che farò senza Euridice? (C. Gluck)


