quarta-feira, 31 de julho de 2013

A morte de Dido

(...)
Ali as cruéis Parcas lhe mostraram
As ilíacas roupas que pendentes
Do tálamo dourado descobriam
O lustroso pavês, a teucra espada.
Com a convulsa mão súbito arranca
A lâmina fulgente da bainha,
E sobre o duro ferro penetrante
Arroja o tenro cristalino peito.
E em borbotões de espuma murmurando
O quente sangue da ferida salta.
De roxas espadanas rociadas
Tremem da sala as dóricas colunas.
Três vezes tenta erguer-se,
Três vezes desmaiada sobre o leito,
O corpo revolvendo, ao céu levanta
Os macerados olhos.
(...)

Correia Garção


"Que há de mais infeliz do que um infeliz que não sente a sua infelicidade e chora a morte de Dido, que se consumava amando Eneias (...) Não chorava por isto e chorava pela morte de Dido que, com um punhal pusera fim à vida, seguindo eu próprio em direcção ao mais ínfimo da criação, abandonando-te, e, como terra que era, dirigindo-me para a terra. Se me impedissem de ler tais coisas, sofreria, por não poder ler aquilo que me fazia sofrer. Era tal a demência, que eram tidas por mais nobres e mais proveitosas estas letras do que aquelas, com que aprendi a ler e a escrever."

Santo Agostinho, Confissões

terça-feira, 30 de julho de 2013

mIRC

A propósito de um post do Mark [olhem só para mim a fazer hiperligações e coisas assim!!!], recuei alguns anos na minha existência e lembrei-me do mIRC, esse famoso programa de conversação em tempo real. Não me lembro como cheguei ao seu conhecimento, mas fui frequentador assíduo durante vários anos. Actualmente, não sei se ainda vive ou se jaz sob terra fria. Mas, mesmo debaixo de uma chuva de protestos de alguns amigos da época, uma coisa é certa: ainda conheci bastante gente por esse meio, fosse em encontros de umas poucas pessoas ou em "grandes" eventos como jantares disto e daquilo. É certo que não guardo grandes memórias ou recordações de todas as almas com as quais travei conhecimento, e até passava bem permanecendo na ignorância. Mas é certo, também, que conheci pessoas maravilhosas e de quem me tornei mesmo amigo e vice-versa. Agora, quase dez anos passados, tendo cada um seguido o seu rumo, a base do sentimento inicial mantém-se comum a todos e isso é o que importa.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

É bom



Há muito tempo já que não ouvia António Variações e esta música em particular. E lembro-me que em pequeno me recusava a ouvi-lo apenas porque os meus pais também ouviam lol! Era como que para marcar a minha posição de pseudo-rebeldia (totó...). Talvez não seja um cantor de quem se goste logo no primeiro momento, mas acho que depois acaba por se entranhar e é impossível largar.

terça-feira, 23 de julho de 2013

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Oi?

É verdade que, dependendo de vários factores, a leitura pode ser uma tarefa um bocado penosa. Mas mesmo assim custa-me muito perceber (ou não percebo de todo) como é que há pessoas que fazem gala por não lerem uma linha que seja. Nem estou a falar de crianças ou adolescentes, por motivos óbvios, mas sim de adultos... Gente com alguma inteligência até, muitos já formados ou em vias disso e nem uma linha passa por aqueles olhinhos. Mas o mais engraçado é olharem para quem, de facto, lê e daí retira algum gozo e prazer como se fosse a 8.ª maravilha do Mundo Antigo, mas em mau. Francamente que não percebo... E aos que caem na asneira de dizer que não gostam de autor X ou Y porque é aborrecido e os faz bocejar, só me apraz dizer: convençam-se que têm um problema grave na vossa vida.